Uma
indignação mútua toma conta dos meus pensamentos- aquela ideia boba
de que as coisas estão erradas.
Parece que o que eu vejo não é visto por mais ninguém, uma mistura de utopia com exagero.
O meu título é a visualização do mundo maior do que ele é, o tema que discuto é fantasioso. Pena que quem conta essa história toda é uma terceira pessoa.
Sou vítima do desespero dos mais fortes, aliada aos que nem suspeitam que estão sendo enganados.
A reflexão tem sido o bastante em mim. Meu medo maior é tornar-me afogado nela.
Numa suspeita do futuro incerto, dos sonhos e expectativas mentirosas, me ritmo ao caos.
Caos que nos exaspera e nos tira o fôlego.
Percebo eu que estou a trocar figurinhas. Que lucro a vida tem nos dado?
Disseram-me, pois, que este é apenas o parágrafo inicial de uma longa descoberta pelo mundo dos adultos. Ao passo que se cresce, os pés se tornam mais calejados e vamos anestesiando a dor na gente.
Essa dor chamada indignação que funciona como quando um prato de comida oferecido a nós todos os dias começasse a causar indigestão: a vontade é de vomitar tudo. O sabor não caiu bem ao nosso paladar, a textura é estranha... nada a ver com a foto do cardápio.
Acaso alguém venderia comida estragada e pronunciaria a todos como benefício?
Estamos numa grande vitrine e imersos em uma terra de outdoors que nos vendem outra ideia de mundo.
Uma ideia errada, vazia.
Uma ideia publicitária.
O som audível do atraso perturba nossos ouvidos, as justificativas estão sendo entoadas.
Existe hostilidade no timbre, existe um erro de gramática no tom.
Mas este meu parágrafo é verdadeiro.
Revisem seu próprio cotidiano e rabisquem com marcador amarelo as injustiças. Sublinhem as calúnias, recortem as diferenças, substituam o desfecho. Parafraseie o que lhe disseram em voz, mas que, entretanto, não fazia jus ao que os olhos declaravam.
O dia está chegando ao fim, o sol está se escondendo. As pessoas estão imersas em preocupações diversas que só elas sabem revelar. O trem continua a correr, seguindo seu percurso, e eu mantenho meus olhos fixos na janela. As coisas parecem correr por fora, ao passo que permanece a impressão de que os passageiros estão imóveis aqui dentro.
Talvez sejamos pouco do que queríamos ser agora. Mas o toleramos a troco do amanhã.
Ou, quem sabe, a troco de nada.
A anestesia que escolhemos é seguir fingindo que o nada é o que vemos.
A inércia é o que nos mantém.
Parece que o que eu vejo não é visto por mais ninguém, uma mistura de utopia com exagero.
O meu título é a visualização do mundo maior do que ele é, o tema que discuto é fantasioso. Pena que quem conta essa história toda é uma terceira pessoa.
Sou vítima do desespero dos mais fortes, aliada aos que nem suspeitam que estão sendo enganados.
A reflexão tem sido o bastante em mim. Meu medo maior é tornar-me afogado nela.
Numa suspeita do futuro incerto, dos sonhos e expectativas mentirosas, me ritmo ao caos.
Caos que nos exaspera e nos tira o fôlego.
Percebo eu que estou a trocar figurinhas. Que lucro a vida tem nos dado?
Disseram-me, pois, que este é apenas o parágrafo inicial de uma longa descoberta pelo mundo dos adultos. Ao passo que se cresce, os pés se tornam mais calejados e vamos anestesiando a dor na gente.
Essa dor chamada indignação que funciona como quando um prato de comida oferecido a nós todos os dias começasse a causar indigestão: a vontade é de vomitar tudo. O sabor não caiu bem ao nosso paladar, a textura é estranha... nada a ver com a foto do cardápio.
Acaso alguém venderia comida estragada e pronunciaria a todos como benefício?
Estamos numa grande vitrine e imersos em uma terra de outdoors que nos vendem outra ideia de mundo.
Uma ideia errada, vazia.
Uma ideia publicitária.
O som audível do atraso perturba nossos ouvidos, as justificativas estão sendo entoadas.
Existe hostilidade no timbre, existe um erro de gramática no tom.
Mas este meu parágrafo é verdadeiro.
Revisem seu próprio cotidiano e rabisquem com marcador amarelo as injustiças. Sublinhem as calúnias, recortem as diferenças, substituam o desfecho. Parafraseie o que lhe disseram em voz, mas que, entretanto, não fazia jus ao que os olhos declaravam.
O dia está chegando ao fim, o sol está se escondendo. As pessoas estão imersas em preocupações diversas que só elas sabem revelar. O trem continua a correr, seguindo seu percurso, e eu mantenho meus olhos fixos na janela. As coisas parecem correr por fora, ao passo que permanece a impressão de que os passageiros estão imóveis aqui dentro.
Talvez sejamos pouco do que queríamos ser agora. Mas o toleramos a troco do amanhã.
Ou, quem sabe, a troco de nada.
A anestesia que escolhemos é seguir fingindo que o nada é o que vemos.
A inércia é o que nos mantém.



